Ligue-se a nós

Como é!

Tradições e costumes no Sepultamento Judaico

Publicação

no

Um funeral simples e repleto de tradições a serem respeitados

funeral-judaico-e-suas-tradições

Quando é anunciada a morte de um judeu, a primeira providência dos familiares é comunicar o Chevra Kadisha – grupo de voluntários que orienta e realiza todos os procedimentos funerários.

O grupo Chevra Kadisha “são considerado um grupo santo e cabe a eles essa tarefa que se relaciona diretamente com a santidade”, explica o rabino Pablo Berman, da Comunidade Israelita do Paraná.

Rabino Pablo Berman

Rabino Pablo Berman

Para o rabino, essa é uma das maiores ações de amor ao próximo no Judaísmo. “Tudo é feito de maneira voluntária. Acreditamos que a alma ainda está próxima à pessoa nesse momento”. Ao fim do banho ritual, o falecido é vestido com o Tachrichim, um conjunto de roupas brancas, com camisa, calça e luvas, que representam a neutralidade com que a alma irá se encontrar com o Criador, segundo a tradição judaica.

A morte é a crise da vida. A maneira de um homem lidar com a morte indica muito sobre sua atitude para com a vida. Assim como há um estilo judaico de vida, também existe um estilo judaico de morte.

Da mesma forma que a maneira judaica de viver é uma perspectiva distinta e um estilo de vida singular específicas de Deus, assim também a maneira judaica de morrer implica atitudes singulares em relação a Deus e a natureza, e relativamente ao problema do bem e do mal. Há também uma maneira distintiva de demonstrar as qualidades específicas judaicas de reverência pelo homem e respeito pelos mortos.

8

O Sepultamento

Pela lei judaica, o corpo deve ser sepultado o mais breve possível em um caixão simples, sem ornamentos, apenas uma Estrela de Davi na parte superior, de preferência no mesmo dia da morte. A explicação é de que a alma não consegue descansar até ser sepultada. A única exceção à regra é em caso de mortes violentas, em que decisões judiciais podem atrasar a cerimônia.

Segundo  a tradição o sepultamento reflete “a igualdade de todos os seres humanos em sua morada final. Na morte, rico e pobre se encontram, pois ambos foram criados por Deus” (Provérbios 22:2)”. O sepultamento deve ser feito em um cemitério israelita, denominado por eles como “casa do mundo” ou “casa da eternidade”, em um jazigo único, aceitando-se somente um parente a mais em cada túmulo.

O caixão é colocado na cova em contato com a terra, enquanto um membro da família é responsável por jogar as primeiras pás de terra que começam a cobrir a madeira. Uma lápide é colocada com escritos hebraicos informando nome, data de nascimento e morte, além de citações bíblicas.

Em geral, depois de um ano, pedras são colocadas sobre o sepulcro, baseando-se na tradição bíblica, quando Jacó colocou pedras para sua esposa Raquel, em sinal de homenagem. Esse gesto, explica a Associação Israelita carioca, assegura que os mortos não serão esquecidos e a sepultura não será profanada. “Uma das funções básicas da pedra tumular é manter viva a memória do falecido. E, de acordo com o Talmud [livro sagrado], a memória dos mortos torna-se menos intensa após 12 meses.”

A Cremação

A cremação jamais é permitida. O falecido deve ser enterrado, corporalmente, na terra. É proibido – em toda e qualquer circunstância – reduzir o morto a cinzas num crematório. É um ato ofensivo, pois violenta o espírito e a letra da lei Judaica, que nunca, no passado, sancionou a antiga prática pagã de cremar o corpo.
A proibição da cremação de corpos no judaísmo é explicada pelas diversas correntes. Veja o que dizem três rabinos a respeito.
“A lei judaica proíbe a cremação por ela ser antinatural e a maneira que mais desonra os mortos. A cremação representa a destruição ativa de nosso corpo, que é uma dádiva de Deus, por isso é imprópria. Finalmente, a falta de túmulo que a cremação gera tira da família a possibilidade de lidar com o luto e de ter um lugar para as próximas gerações poderem lembrar dos seus antecessores”, Rabino Adrián Gottfried (Comunidade Shalom).
“A cremação é considerada uma mutilação da substância física do falecido e uma ofensa à essência de seu espírito. Kibud há’met, o respeito pelos mortos, é um princípio fundamental do judaísmo. É com base nesse preceito que se proíbe a cremação. Somos ordenados a ‘retornar o corpo ao solo’ (Gênesis, 3:19) e deixar que ele se decomponha naturalmente”, Rabino Henry I. Sobel, em artigo publicado neste Chevra Kadisha Informa (ed. nº 23, março 2006).
“O povo judeu sempre deu valor especial ao enterro judaico, pois este é o elo que une a alma à eternidade, preparando o corpo para a ressurreição. A cremação transgride as proibições da Torá, além de demonstrar que o falecido não acreditava na ressurreição e na vida pós-morte – uma das bases do judaísmo –, deixando de merecê-la. Além disso, é considerada um costume idólatra”, Rabino Shamai Ende in “Leis e Costumes do Luto Judaico” (pág. 76)

O Funeral

A expressão judaica mais notável de dor é quando o enlutado rasga as próprias roupas antes do funeral.

Quem deve rasgar as roupas?
Sete parentes estão obrigados a desempenhar esta prática: filho, filha, pai, mãe, irmão, irmã e cônjuge.

Eles devem ser adultos acima da idade de treze anos. Menores, que sejam realmente capazes de entender a situação e avaliar a perda, podem ter as roupas rasgadas por outros parentes ou amigos.

Cônjuges divorciados podem cortar as roupas, mas não são obrigados.

O serviço de funeral é breve e simples, designado basicamente para homenagear a dignidade do falecido. O serviço consiste em:
– Ler uma seleção de Tehilim (Salmos) apropriada à vida do falecido.
– Fazer uma eulogia de suas boas qualidades que os sobreviventes procurarão implantar em sua própria vida.
– Uma prece memorial pedindo a D’us que abrigue sua alma “nas asas da Divina Presença”.

sepultamento judaicoAs pessoas que estão colocando terra na sepultura devem tomar cuidado para não passar a pá ou a enxada de mão em mão, mas sim, fincá-la na terra.

• Aqueles que estiverem presentes ao enterro devem formar duas filas, como um corredor, por onde os enlutados deverão passar. Aqueles que formarem o corredor devem recitar a tradicional prece de consolação:“Hamacom yenachem etchem betoch shear avelê Tsiyon Virushaláyim” ”Que D’us te conforte entre os outros enlutados de Sion e Jerusalém.”

• É uma mitsvá acompanhar o falecido até o cemitério.

• Se for incapaz de ir até o cemitério, a pessoa deve caminhar pelo menos uma distância de 2 ou 3 metros acompanhando o corpo.

• É importante que um grupo de no mínimo de dez homens adultos (a partir de 13 anos) esteja presente no cemitério, para que haja um minyan para o cadish.

• É uma grande mitsvá fazer um discurso apropriado ao falecido, mencionando seus bons traços de caráter (que seja sincero e contenha verdades, caso contrário torna-se prejudicial ao orador e ao falecido). O objetivo primordial do panegírico é honrar o falecido. Falamos também sobre seus pais e família, Se o falecido deixou instruções de que preferia não ser louvado, sua vontade deve ser feita.

3• É uma mitsvá chorar e prantear pelo falecimento de uma pessoa justa. D’us conta e entesoura as lágrimas derramadas quando um justo se vai.

• A presença de um corpo morto é considerada uma fonte de impureza ritual. Por este motivo, um cohen não pode permanecer na presença de um cadáver, fazer visitas ou ir a enterro no cemitério, a menos que seja o enterro pelos seus pais. Um cohen deve ser cercado por um círculo de pessoas de mãos dadas ou um material como uma cerca a sua volta para poder visitar algum túmulo ou permanecer no cemitério.

• No cemitério, o cohen falecido é enterrado próximo aos portões do cemitério, para que seus parentes não se profanem caminhando perto de outros túmulos.

• É importante que homens e mulheres não se misturem durante os panegíricos ou a procissão fúnebre.

• É proibido retardar um sepultamento, pois é prejudicial ao falecido, podendo causar sofrimento a sua alma. Somente em situações realmente necessárias é permitido um breve adiamento caso estejam ainda preparando os detalhes da sepultura ou para que parentes próximos que se encontram em outras localidades possam comparecer ao funeral. (Não realizamos o sepultamento no final da tarde de sexta-feira se isso puder causar a profanação do Shabat.)

• É necessário consultar um rabino ortodoxo competente antes de retardar um funeral.

• Para os pais, é adequado expandir os elogios em sua honra.

• O correto é que apenas judeus estejam envolvidos nos cuidados e no transporte do corpo.

• A pessoa é obrigada a interromper até o estudo de Torá a fim de acompanhar o falecido.

Costuma-se recitar capítulos especiais doTehilim durante o funeral.

• Utiliza-se um caixão de madeira, mas é preferível minimizar a madeira e mesmo as mortalhas, para que o falecido fique o mais próximo possível do solo.

• O falecido é deitado de costas, como alguém que está dormindo.

• Pedimos perdão ao falecido, no caso de não termos mostrado o respeito adequado.

• Costuma-se não passar as pás de uma pessoa a outra, para demonstrar que não passamos tristeza a outras pessoas; pousa-se a pá e esta então é apanhada do chão.

• Não se pode agir de maneira descuidada no cemitério, o que inclui: não comer, não beber, não fumar [Yalkut Yossef], não tratar de assuntos de negócios.

• É proibido usar passagens entre os túmulos como atalho.

• De forma geral, é proibido abrir um túmulo depois de este ter sido fechado.

• É costume após o enterro, ao sair do cemitério, arrancar um pouco de grama, para demonstrar que o falecido brotará de novo à vida quando da ressurreição dos mortos (Techiyas Hametim ) e jogá-la por cima do ombro direito para trás e recitar o seguinte: “Veyatsisu me’ir keêssev haáretz; zachur ki afar anáchnu” (Tradução: “Que eles (os falecidos) brotem (ressuscitem) como as plantas da terra”.

10Obs: Se o sepultamento ocorrer em Chol Hamoed, não se pode arrancar a grama.

Ao sair do cemitério cada pessoa deverá fazer netilat yadáyim (ablução das mãos). O costume é de não enxugar as mãos após a netilá,porém nos dias frios pode-se enxugá-las. Não se costuma passar a caneca de netilat para outra pessoa após usá-la para mostrar que não passamos tristeza a outras pessoas. A caneca deverá ser colocada com a abertura para baixo, indicando que toda vida chegará ao fim.

O Entendimento

A Lei Judaica é inequívoca ao estabelecer de maneira absoluta que os mortos devem ser enterrados na terra. O corpo do homem retorna ao pó como era. A alma sobe a D’us mas o abrigo físico, os elementos químicos que revestiam a alma, mergulham no vasto reservatório da natureza.

“Pois do pó vieste, e ao pó retornarás” (Bereshit 3:19) é o princípio guia no que tange à escolha dos caixões, que deve ser completamente feito de madeira.

A Torá nos diz que Adam e Eva se esconderam entre as árvores no Jardim do Éden quando escutaram o Divino julgamento por terem cometido o primeiro pecado. Disse Rabi Levi: “Este foi um sinal para seus descendentes de que, quando morrerem e estiverem preparados para receber sua recompensa, devem ser colocados em caixões de madeira.”

mazinha

Gostou dessas informações?

Receba outras no seu Email e WhatsApp

    Seu nome (obrigatório)

    Seu e-mail (obrigatório)

    Número WhatsApp com DDD

    Autorizo o Portal Todas Funerárias a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários (Pare receber salve o nosso número WhatsApp em sua agenda 11 99567 7070)

    Clique e para ler tudo

    Como é!

    Recomendações Técnicas no Setor Funerário

    Publicação

    no

    SUBCOORDENADOR DO NÚCLEO DE TANATOPRAXIA DA UFMG TRAZ RECOMENDAÇÕES AO SETOR FUNERÁRIO

    José Eustáquio Pereira Barboza

    Por Marcos Scheffer

    “Mas eis a hora de partir: eu para morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo ninguém o sabe, exceto os deuses.” Com este pensamento, o filósofo Sócrates já tratava sobre a morte como um assunto natural há cerca de 470 anos antes da era cristã. Contudo, nos dias atuais o assunto ainda causa arrepios em muitas pessoas que não lidam muito bem com isso.

     

    Porém, esta é uma realidade que todos nós já vivenciamos algum dia em nossas vidas, seja na perda de algum ente querido ou familiar, e certamente é importante que conheçamos um pouco do universo envolto que movimenta esse mercado; são inúmeros profissionais envolvidos de diversas áreas, que contribuem para que este momento de luto possa ser enfrentado com um pouco mais de tranquilidade e conforto por aqueles que perderam seus entes.

    José Eustáquio Pereira Barboza

    No texto a seguir, de José Eustáquio Pereira Barboza, podemos conhecer um pouco desse universo, suas peculiaridades, técnicas e rotinas que movimentam o mercado funerário brasileiro.

    Os cuidados essências durante as remoções de corpos pós mortes em residências, hospitais e outros locais de ocorrências, e a forma correta de manusear os corpos dentro do ambiente funerário.

    Infelizmente ainda na atualidade em que vivemos, deparamos com alguns profissionais do segmento funerário inaptos em atuar com segurança e respeito para com os familiares em processo de luto e com os corpos dos falecidos que não mais habitam a vida.

    Por esses e diversos outros motivos, a elaboração deste texto tem como principal objetivo direcionar melhor os profissionais do segmento funerário e áreas afins, orientando e educando os mesmos de forma correta e segura para lidarem com suas rotinas diárias.

    O profissional do segmento funerário ao ser solicitado a prestar atendimento funerário, é imprescindível que tenham empatia com o cliente solicitante da prestação do serviço, ou seja, tentar se colocar na situação real em que a pessoa está vivendo (ter compaixão).

    Ao longo dos meus 16 anos de experiência lidando com pessoas enlutadas e com corpos pós mortes, constato que tendo compaixão, os clientes enlutados sentem se amparados no momento de abalo em que estão vivendo, e passam a depositar confiança na prestação dos serviços funerários, encontrando forças para lhe dar com as etapas do luto.

    REMOÇÃO

    Quando o agente funerário (motorista) for solicitado para realizar uma remoção, primeiramente é necessário saber o local de ocorrência do óbito.

    REMOÇÃO EM RESIDÊNCIA

    Para a realização de uma remoção residencial é primordial que o agente funerário (motorista) tenha em posse uma maca própria para esta finalidade. O profissional deve se evitar ao máximo utilizar palavras inapropriadas para o momento, como por exemplo: Bom dia; boa tarde; boa noite, etc.… pois o momento é extremamente inadequado.

    O profissional ao chegar na residência deve se solidarizar com as condolências, se identificar e solicitar licença para ir até o local onde o óbito tenha ocorrido, e nesse momento ele deverá começar a avaliar o trajeto e a melhor forma de realizar a remoção com zelo e segurança. Caso o profissional não tenha em posse a cópia da declaração de óbito ou certidão do óbito, o mesmo obrigatoriamente deverá solicitar ao responsável pela contratação do serviço uma cópia.

    Ao se deparar com o corpo jamais deverá removê-lo sem antes identificá-lo, pois é muito importante esse ato, os familiares não têm noção de como é a rotina diária dentro de uma funerária, e remover o corpo sem identificação pode gerar um enorme risco do mesmo ser trocado ocasionando um transtorno a nível de saúde mental, e algumas vezes irreversível para com os familiares.

    Logo após a identificação, cuidadosamente o corpo deverá ser acomodado em um lençol e transferido para maca e ser removido até o veículo funerário. Dependendo de algumas situações onde a maca não puder ser utilizada, sugiro que o mesmo deva ser removido cuidadosamente em uma cadeira na posição sentada, e bem imobilizado evitando que o corpo venha se escorregar ou até mesmo cair.

    Deve-se sempre ficar atento se o corpo está despido (nu) e solicitar aos familiares uma roupa para que a remoção até o veículo seja realizada. Toda e qualquer remoção deve ser feita sempre em decúbito dorsal (com a face voltada para cima), pois realizando a remoção desta maneira, evita-se a concentração de sangue com gás carbônico na região da face, e que provavelmente comprometerá o processo de drenagem do sangue durante a realização da técnica de tanatopraxia. Remover o corpo do falecido em decúbito dorsal, trará mais segurança evitando ferimentos e hematomas principalmente na região da face e das mãos.

    REMOÇÃO EM HOSPITAIS E OUTROS LOCAIS DE SERVIÇO DE SAÚDE

    Primeiramente o agente funerário (motorista) deve ter em posse uma cópia da declaração de óbito ou da certidão de óbito, pois será através deste documento que ele irá verificar se o corpo do falecido a ser removido procede com os dados do documento.

    Quando ocorre um óbito dentro do ambiente hospitalar, geralmente a rotina é a mesma de uma instituição para a outra, ou seja, o corpo é identificado na região do tórax e encaminhado para o necrotério dentro de um saco de óbito ou enrolado em um lençol, sendo exclusivamente de responsabilidade da instituição identificar o corpo corretamente, caso o corpo não esteja identificado, em hipótese alguma o mesmo deverá ser removido até que um profissional da instituição o identifique.

    A responsabilidade da remoção do corpo é do agente funerário (motorista), por isso é imprescindível a conferência da identificação, mesmo que tenha apenas um corpo no necrotério. Durante essa conferência de Identificação é muito importante também conferir se o corpo apresenta alguma ferida principalmente na região da face e das mãos, conferir e relatar também se possui alguns bens materiais como adornos etc.…caso o agente funerário (motorista) não tenha em posse um livro de ata especifico para essas finalidades, aconselha-se registrar atrás da cópia da declaração de óbito ou cópia da certidão de óbito.

    Infelizmente boa parte dos profissionais de instituições hospitalares são pouco preparados ou nunca tiveram orientação para prestar os primeiros cuidados com os pacientes pós óbitos, por muitas vezes amarram a face do paciente com máxima força provocando traumas na pele do falecido, e principalmente se este falecido estiver com as mãos edemaciadas (inchadas) dependo da situação as mãos terão que ser totalmente enfaixadas e/ou acomodadas por baixo da ornamentação antes de ser entregue aos familiares para realizarem a despedida final, ocasionando uma certa frustração e tristeza para com os familiares.

    Diante destas circunstâncias, aconselho ao agente funerário (motorista) que retirem ou afrouxem essas amarrações, que geralmente são realizadas com ataduras (faixas) 3 e/ou esparadrapo, tendo em vista que as mesmas irão ser retiradas no laboratório de Tanatopraxia.

    SEGURANÇA SANITÁRIA E DO TRABALHO

    Sempre que o profissional for ter contato direto com o corpo pós mortes, é obrigatório e necessário a utilização dos EPI´s (equipamentos de proteção individual) como luvas de procedimentos descartáveis, óculos, calçados fechados e uma vestimenta predestinada para essas finalidades, como por exemplo um jaleco de manga comprida e/ou aventais impermeabilizáveis, etc…

    LEGISLAÇÃO

    De acordo com o código Penal Brasileiro: Art. 212 existe um crime que é o Vilipêndio de Cadáver, ou seja, o vilipêndio de cadáveres é considerado crime contra o respeito aos mortos. O Vilipêndio é o ato de fazer com que alguém se sinta humilhado, menosprezado ou ofendido, através de palavras, gestos ou ações, sujeito a Pena – detenção de um a três anos e multa. Por esse e outros motivos, os profissionais do segmento funerário devem ser altamente treinados, capacitados e habilitados para lhe dar com as rotinas diárias.

    CUIDADOS COM OS FALECIDOS NO AMBIENTE FUNERÁRIO

    Quando os falecidos dão entrada no laboratório da funerária, os profissionais do laboratório serão responsáveis pelos cuidados prestados ao mesmo. Deve-se obrigatoriamente conferir a identificação do falecido, assim como inspecionar e relatar (evidenciar) as observações que o corpo apresenta, por exemplo: presença de feridas, hematomas, cirurgias, amputações, punções, etc… Após a realização do procedimento de Tanatopraxia, o corpo deverá ser higienizado com água e sabão e acomodado na urna que será inumado (sepultado) ou cremado, em seguida realizar os curativos se necessário.

    Por medida de segurança e prevenção é importante a inserção de um plástico na região do tórax e abdômen, para impermeabilizar caso haja saída de algum líquido, evitando que a roupa do falecido (a) venha se umedecer. Após todos esses procedimentos deve-se vestir o corpo evitando ao máximo cortar as vestes, em seguida centralizar o corpo na urna e ataviar (embelezar). Por fim o corpo deve ser encaminhado para o fiscal conferir, avaliar e liberar. Sempre que a urna for tampada, é necessário a retirada do visor para conferir se o nariz não está sofrendo uma compressão.

    Caso a tampa da urna não tiver visor, aconselho a colocar um pouco de crene no ápice (ponta) do nariz e tampar a urna, e logo em seguida retirar a tampa novamente, e caso o interior da tampa não tenha borrado irá trazer uma segurança maior quando o mesmo chegar ao velório.

    CONSIDERAÇÕES FINAIS

    Diante alguns erros recorrentes em que profissionais do segmento funerário estão procedendo, esse texto foi elaborado para direciona-los melhor, evitando a ocorrência de incidentes e insatisfação com os clientes enlutados. É importante ressaltar que as orientações referentes a manuseios e avaliações dos corpos pós mortes descritas neste texto, não se aplicam em casos suspeitos e/ou confirmados pela COVID-19

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

    https://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/seguranca_hosp.pdf Acesso em: 10/01/2021
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Vilip%C3%AAndio_a_cad%C3%A1ver Acesso em: 10/01/2021
    Moore, Keith L.; DALLEY, Arthur F.. Anatomia orientada para a clínica. 6 ed. Rio De Janeiro:
    Editora Guanabara Koogan S.A., 2011.
    DANGELO, J.G.; FATTINI, C.A. Anatomia Humana Sistêmica e Segmentar, 3. ed., Atheneu, São Paulo, 2007.
    BOWLBY, J. Apego e perda. Volume 1: apego. 2.ed. Trad. Álvaro Cabral. São Paulo: Martins Fontes, 1990. PARKES, C. M. Luto:

    Autor: José Eustáquio Pereira Barboza
    Enfermeiro Graduado – UNIVERSO Campus – BH
    Subcoordenador/Idealizador e professor do Núcleo de Tanatapraxia da UFMG
    (Universidade Federal de Minas Gerais)
    Técnico em Anatomia e Necropsia – Universidade Federal de Minas Gerais
    lotado na Faculdade de Medicina no Departamento de Anatomia e Imagem
    Pesquisador em Tanatopraxia
    Professor Convidado do Curso de Tanatologia e Cuidados paliativos da
    SOTAMIG (Sociedade de Tanatologia e Cuidados Paliativos de Minas Gerais)
    Professor da Escola Técnica Conhecer – Unidade Santa Luzia/MG
    Pós-Graduando Vigilância Sanitária em saúde – IPEMIG

    instagran: @joseeustaquiopb
    e-mail: joseeustaquiopb@yahoo.com.br

    Clique e para ler tudo

    Como é!

    Como preparar um corpo para o velório

    Publicação

    no

    Conheça os procedimentos que o agente funerário faz para preparar um velório

    O agente funerário cria um relatório detalhado, catalogando os objetos pessoais (joias e roupas, por exemplo), a condição física do corpo (arranhões, cortes, machucados, etc.) e os produtos químicos específicos para embalsamá-lo que irão ser utilizados durante o processo.

     

    Depois de remover todas as roupas, joias e instrumentos médicos (como cateteres, acessos venais e curativos) segue os procedimentos.

    Vários procedimento são realizados para que haja uma boa preparação. Conheça alguns.

    Desinfetando 

    Independentemente das circunstâncias da morte, o corpo inteiro (incluindo todos os maiores orifícios) é borrifado com um desinfetante poderoso. Quando a pele secar, o agente funerário começa a massagear e soltar os músculos do pescoço, braços e pernas, que estão duros devido ao rigor cadavérico. Depois se retiram todos os pelos faciais, da garganta e pescoço (exceto as sobrancelhas, cílios e escalpo) com uma lâmina de barbear. Para os homens, isso requer um barbear completo da área da barba (a menos que o morto tivesse pelos faciais estilizados durante a sua vida), bem como a remoção de todos os pelos das narinas, orelhas e penugem de pêssego da parte superior da face. Para mulheres, retiram-se os pelos de todo o rosto e pescoço para remover a penugem de pêssego, já que os pelos curtos podem interferir com a aplicação da maquiagem posteriormente.

    Ajustando a Face

    Ajustando a face

    No processo natural de decomposição, o tecido membranoso mais macio da face seca, ocasionando no afundamento dos olhos na cavidade ocular, e os lábios e bochechas se contraem. Para evitar isso, o agente funerário coloca um cone plástico em formato semiesférico com uma superfície em forma de grade em cada olho, atrás das pálpebras. Um potente creme captador de umidade é colocado entre o plástico e dentro da pálpebra para manter a pele de fora hidratada e com aspecto macio. Para manter os olhos fechados, um pequeno traçado com gel adesivo é cuidadosamente aplicado na borda das pálpebras. Para manter a boca fechada, uma sutura (com fio de alta gradação cirúrgica) é trançado através da base das gengivas (cruzando a mordida) com uma agulha grossa e curva ou uma ferramenta especial. A agulha então atravessa o osso exatamente acima do canino superior (o maxilar), para dentro da cavidade nasal. Após fazer mais alguns pontos de sutura, a agulha perfura o fundo da cavidade nasal em um ponto diferente para entrar na boca pelo lado oposto através de um novo furo no maxilar. Finalmente, a sutura é trespassada através da base das gengivas nesse novo lado, e os dois fins do fio são amarrados para evitar que a boca se abra. Dependendo da idade e condição do morto, o agente funerário pode também aplicar cremes na parte interna dos lábios e até mesmo inserir um volume extra com selante na base das gengivas frontais.

    Embalsamamento-arterial

    Embalsamamento arterial

    O agente funerário cria um acesso de injeção em uma das maiores artérias e vagarosamente injeta uma solução aquosa de formaldeído ou outra substância química, dependendo de outros fatores fisiológicos, dentro do corpo, criando uma pressão sanguínea. Em intervalos, ele poderá drenar o sangue do coração ou veia jugular através de uma seringa acoplada a uma válvula. Quando esse processo se completar, mais ou menos 7,5 litros de fluido para embalsamar estarão dentro do sistema vascular.

    Embalsamando as cavidades

    Basicamente uma agulha de largo calibre acoplada a uma via de vácuo com tubo plástico, o trocar é usado para drenar gases malcheirosos e/ou potenciais fluidos com riscos biológicos dos órgãos internos do morto (estômago, bexiga, intestinos, pulmões). O agente funerário abre a cavidade abdominal, drena cada um desses órgãos, remove todos os órgãos internos e os deixa mergulhados em uma solução forte de embalsamar durante algumas horas. Enquanto isso, as paredes internas da cavidade são revestidas com um gel de embalsamar ou pó. Como última medida, tanto o ânus ou vagina são preenchidos com algodão e o corpo é ajeitado com apertadas roupas de baixo feitas para selar os gases dentro do corpo. Quando os órgãos já estiverem prontos, eles são colocados em um grosso e hermeticamente selado saco plástico que é inserido na cavidade abdominal antes de costurá-la de volta.cosméticos

    Cosméticos

    O agente funerário lava e seca o corpo e cabelos cuidadosamente. O cabelo do morto é então penteado profissionalmente (e cortado, se preciso). Após limpar quaisquer fragmentos de cabelo, o agente funerário veste o cadáver em um conjunto escolhido pela família. Nesse ponto, ele começa a corrigir quaisquer tecidos visíveis com uma combinação de maquiagem e massa especial de vidraceiro para preencher pequenas abrasões e amaciar a textura de feridas. Aplicados ao rosto, pescoço e mãos, os cosméticos usados pelos agentes funerários podem variar de produtos translúcidos até mais opacos e pesados, feitos especificamente para mascarar a descoloração da pele. Por exemplo, no caso de ataques cardíacos ou sufocamento, a falta de oxigênio no sangue na hora da morte pode resultar em pele azulada. Quando o processo de maquiagem estiver completo, o corpo é então colocado dentro do caixão, onde braços e pescoço são arranjados de forma a parecerem vivos. O processo de preparação está completo.

    Gostou dessas informações?

    Receba outras no seu Email e WhatsApp

      Seu nome (obrigatório)

      Seu e-mail (obrigatório)

      Número WhatsApp com DDD

      Autorizo o Portal Todas Funerárias a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários (Pare receber salve o nosso número WhatsApp em sua agenda 11 99567 7070)

      .

      Clique e para ler tudo

      Como é!

      Novas tecnologias nos IML para realizar autópsia virtual

      Publicação

      no

      A autópsia virtual descarta abertura de corpos no IML

      As técnicas de autópsia tradicionais possuem diferentes vantagens e desvantagens, bem como aplicações distintas a depender do contexto. No modo tradicional, utilizam-se basicamente de instrumentos cirúrgicos associados a métodos de dissecção. Entretanto, na contemporaneidade as ciências forenses estão se aperfeiçoando e buscando incorporar métodos de imagem radiológica a investigação da causa mortis, de forma a trazer mais agilidade no processo de autópsia e ainda possibilitar que a reconstrução das imagens fique documentada, podendo ser revisada a qualquer tempo, mesmo após a inumação do corpo.

       

      O termo virtópsia, ou autópsia virtual, incorporou a tomografia computadorizada e ressonância magnética no exame cadavérico agregando qualidade nas análises com auxílio da tecnologia.

      Ela é minimamente invasivas, e podem preservar o corpo e provas que, em geral, são perdidas no método tradicional.

      A autópsia virtual descarta abertura de corpos no IML. Com a nova técnica, os exames passaram a ser realizados mais rapidamente. Um scanner e um tomógrafo computadorizado fazem a análise completa e identificam traumas, ossos quebrados, projéteis de armas de fogo e qualquer sinal de violência que tenha provocado o óbito.

      Embora a radiologia faça parte dos exames médico-legais desde seu início, essa técnica foi muito subestimada como um método útil para a ciência forense. Sob essa premissa, o conceito de virtopsia Nasceu com o objetivo de implementar novas tecnologias de radiologia no campo da ciência forense. Essa técnica utiliza uma combinação de tomografia computadorizada e ressonância magnética, aumentando o contraste e a resolução de ambos para criar a possibilidade de realizar reconstruções 2D e 3D.

      O objetivo de criar esse método (e a própria pesquisa) foi testar o potencial de uma técnica de autópsia o menos invasiva possível, além de avaliar a praticidade das técnicas de imagem radiológica e o possível uso que delas poderia ser feito. estes na prática forense.

      Para realizar a comparação entre a técnica usual de autópsia e a virtópsia, quarenta indivíduos falecidos (todos de causas diferentes) foram examinados, seguindo esquemas semelhantes, tanto por um grupo de médicos forenses que usavam as técnicas usuais quanto por um sistema criação de imagem.

      Com relação aos resultados obtidos nessa comparação, verificou-se que a radiologia foi superior à autópsia em revelar certos tipos de trauma corporal, enquanto foi menos útil para a imagem de lesões de órgãos. Outros sinais vitais forenses, como embolias, aspirações, etc., foram diagnosticados com um grau de sucesso semelhante entre os dois sistemas. Isso também pode se traduzir na utilidade de trabalhar com um radiologista e um patologista forense na autópsia.

      Em conclusão, esta pesquisa demonstrou o potencial da virtopsia (bem como suas limitações para seu uso na ciência forense. Entre outras, demonstrou-se que a principal vantagem do uso de técnicas de imagem coincidia com sua principal desvantagem: não manipulação Por sua vez, também foi recomendado pelos autores que ambas as técnicas (autópsia e virtopsia) fossem realizadas em conjunto ou de forma complementar, mesmo que a virtopsia estivesse eventualmente substituindo a própria autópsia. Na sua opinião, representa nada mais do que uma tentativa de abrir novos horizontes nos campos da medicina e da ciência forense, movendo-se cada vez mais para uma autópsia minimamente intrusiva na qual a radiologia tinha um lugar privilegiado.

      A titulo de curiosidade vamos relembrar alguns Instrumentos tradicionais da Necropsia

      Os instrumentos usados para realizar autópsias mudaram muito pouco nos últimos 100 anos. O único avanço importante nos instrumentos é o uso de algumas serras elétricas. No entanto, ainda não são tão usadas quanto os instrumentos manuais à moda antiga.

      • Serra para ossos – usada para cortar os ossos ou o crânio;
      • Faca com serra – usada para cortar pedaços dos órgãos para exame;
      • Enterótomo – tesoura especial usada para abrir os intestinos;
      • Agulha de sutura – uma agulha grossa usada para costurar o corpo após o exame;
      • Martelo cirúrgico com gancho – usado para abrir a tampa do crânio;
      •  Talhador de costelas – tesoura grande especial para cortar as costelas;
      • Bisturi – como o bisturi de cirurgia, porém, com a lâmina mais larga possível para fazer cortes longos e profundos ou para retirar tecidos;
      • Tesouras – usadas para abrir órgãos ocos e cortar os vasos sanguíneos;
      • Cinzel de crânio – usado para ajudar a alavancar cuidadosamente a tampa do crânio;
      • Serra Stryker – serra elétrica usada para cortar o crânio de modo a remover o cérebro;
      • Pinça dente de rato – usada para segurar órgãos pesados.
      • O Dr Kiesel discute algumas alternativas dos instrumentos tradicionais:

      Em muitos IMLs do Brasil existe uma carência de ferramentas e instrumentos para exercer com precisão as tarefas, onde muitas vezes são empregados ferramenta de uso tradicional ou cirúrgicos para substituir uma ferramenta apropriada.

      Embora pareça repulsivo, os médicos legistas são obrigados a trabalhar dentro de um orçamento. Se economizamos dinheiro nos instrumentos, liberamos recursos para serem usados em outras fontes de investigação.

      Gostou de ficar sabendo?

      Receba outras notícias no seu E-mail e WhatsApp

        Seu nome (obrigatório)

        Seu e-mail (obrigatório)

        Número WhatsApp com DDD

        Autorizo o Portal Todas Funerárias a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários (Pare receber salve o nosso número WhatsApp em sua agenda 11 99567 7070)

        Clique e para ler tudo

        Trending