Como é!

Os cadáveres de vitimas do covid-19 podem transmitir o vírus?

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Quanto tempo o coronavírus pode sobreviver?

Uma pergunta que não quer calar, principalmente aos trabalhadores de funerárias

Somos bombardeados o tempo todo por essas indagações que nos tornam ansiosos em saber ate que ponto podemos trabalhar os corpos vitimas do covid-19. Os estudos estão caminhando para resposta mais precisas, sendo que algumas ainda continuam sem nenhuma resposta.

Por quanto tempo o coronavírus pode resistir em um cadáver?

Ele permanece contagioso neste estado?

Essas seguem sendo perguntas sem respostas durante a pandemia da COVID-19. Ainda em abril, foi relatado no Journal of Forensic and Legal Medicine o caso de um médico que teria sido contaminado pelo coronavírus a partir do manuseio de um cadáver, já que era legista. No entanto, o artigo foi posteriormente removido, porque não era possível afirmar, com precisão, onde aconteceu a infecção, pois o hospital estava repleto de pacientes contaminados.

De acordo com o virologista da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, Matthew Koci, uma vez que o corpo morre, o coronavírus não pode mais se replicar.

No entanto, o agente infeccioso pode permanecer no tecido por um determinado período, explica. Quanto tempo isso pode durar dependerá de fatores como quais tecidos estão infectados e em que condições estão armazenados. No caso britânico, foi em baixas temperaturas.

No texto publicado, os pesquisadores argumentam que entender por quanto tempo o coronavírus pode sobreviver em um tecido humano morto é uma “informação chave” e que pode modificar os protocolos adotados até então na pandemia. É provável que “o vírus persista e permaneça viável em cadáveres, daí a necessidade de usar equipamento de proteção individual adequado ao manusear corpos de pessoas falecidas e durante os exames pós-morte”, completa o artigo.

Para ler o relato de caso completo, publicado na BMJ Case Reports, clique aqui.

Marisa Dolhnikoff fez a autópsia do primeiro paciente que morreu por covid-19 no Hospital das Clínicas da USP, ainda em março.

Na época, seu grupo de pesquisa era um dos primeiros no mundo a fazer autópsias de pessoas contaminadas pelo Sars-Cov-2.

Seu grupo também estão entre os pioneiros em identificar a trombose de vasos pulmonares desses pacientes. Hoje, por causa dessa e outras pesquisas feitas em paralelo ao redor do mundo, já está bem estabelecidos que a hipercoagulação e as tromboses são alguns dos quadros causados pela covid-19.

Os coágulos ou trombos sanguíneos se formam tanto no pulmão quanto em outros órgãos, bloqueando a circulação do sangue. Eles causam desde sintomas mais leves, como uma vermelhidão nos dedos do pé, até os mais graves, como insuficiência respiratória. Apesar do paciente sentir o ar entrando e saindo do pulmão, os coágulos atrapalham as trocas gasosas no sangue, e o oxigênio não consegue ser distribuído pelo corpo.

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